TREINADORES DA COPA
Genecí das Mercês, o Marcelo O técnicos de muitos craques Uma grande estrela do futebol, aquele jogador que pode ser rotulado como craque, não nasce assim de um dia para o outro, como num passe de mágica. Antes de chegar ao estrelato, ele foi visto jogando bola por alguém que teve conhecimento e sensibilidade para definir: “Este menino leva jeito para ser um futuro craque da bola.” É lógico que este observador atento ou é um técnico de futebol de base ou um dos muitos “olheiros”, que não perde tempo e convida aquela “pedrinha bruta” para uns testes em seu clube. E é a partir daí que aquela valiosa pedrinha bruta começa a ser burilada. Ao longo dos 38 anos da Copa A Gazetinha, muitos destes descobridores de craques foram, ou continuam sendo, atores importantes na competição, como é o caso do Geneci das Mercês, que todos conhecem como Marcelo. Nilson (ex-Vitória da Bahia),Maicon (Internacional e Guarani) Thiago Martinelli (Cruzeiro, Palmeiras, Vasco da Gama) Gladstone (Cruzeiro, Juventus/Itália, SeleçãoBrasileira) Maxwell (Cruzeiro, Futebol Holandês, Inter de Milão, Barcelona, PSG), Moisés (ex-Botafogo), França (ex-Vasco), CelsonCaju (Boa Vista de Portugal), Dedé (Vasco) e Sávio (Flamengo, Seleção Brasileira, Real Madrid, Bordeaux, Zaragoza e Avaí). Quem não gostaria de treinar uma equipe como essa? Ainda que em épocas e times diferentes, Marcelo já teve a chance de trabalhar com cada um desses jogadores, o que nos faz lembrá-lo como o técnico capixaba dos craques. Foi através dos seus ensinamentos, transmitidos pelo linguajar simples do professor Marcelo, que estes, então meninos, aprenderam os primeiros fundamentos do futebol e aprenderam, também, a serem vencedores. Marcelo que diz ter “vocação para o futebol”, nasceu em 1955 em de Barra de São Francisco, de onde se mudou aos 9 anos para Niterói. Apaixonado pelo futebol, deucomeçou jogando no São Cristóvão. Sua históriacomo jogador não foi tão boa como a de técnico. Complicações no joelho o fizeram por fim ao desejo de ser jogador. Em 1977 estava de volta ao Espírito Santo, agora como massagista da Desportiva, não ficando muito tempo nessa função. Surgiu a chance de ser treinador da escolinha do time grená. Ele aceitou e em 81 já era campeãoda categoria júnior. Permaneceu na Desportiva até 84, indo, então,dirigir a juvenil do Rio Branco, onde foi campeão. Depois de uma passagem de cerca de um ano meio no Bangu, e de um retorno para a Desportiva, em 89 foi para Aert, onde está até hoje. A COPA A GAZETINHA Em 1988 foi montada uma seleção da Copa A Gazetinha para disputar um torneio em Mendoza, na Argentina. A surpresa de Marcelo foi tamanha quando convidado
Genecí das Mercês, o Marcelo
Marcelo foi o treinador da Seleção da Copa A Gazetinha na cidade de Mendoza, Argentina
pelo Janc, que ainda não conhecia pessoalmente, para integrar a equipe como técnico: “A satisfação de ter o trabalho reconhecido”,nos conta. Ocarinho pelo campeonato cresce a cada dia. “Hoje, praticamente tudo que tenho, além de à Deus, devo ao Aert e à Copa A Gazetinha.”,diz Marcelo. Com toda a experiência, o treinador só tem a elogiar a Copa e tudo o que ela proporciona parao futebol infanto-juvenil do Brasil. A IMPORTÂNCIA DO ESPORTE O futebol e todos os esportes possuem a função de reintegração social. Marcelo encontrou ai a força que precisava para se recuperar do vício da bebida. Com a ajuda dos amigos, conseguidos ao longo de sua carreira,já faz 18 anos que parou de beber. Voltou a estudar-financiado pelo Aert -e hoje faz parte do Conselho de Educação Física. Com dois filhos David, 11 anos, e Bismark,22 anos,o treinador diz que, assim como a dele, já viu muitas histórias de superação através do esporte. E ressalta: “Para o futebol continuar fazendo a diferença é necessário mais investimentos e mais publicidade. Um menino que poderia estar fazendo algo de errado na rua, está no campo treinando, ai que se percebe a função social que o esporte tem”.