Mauro Soares Mauro Soares, 44 anos, é um dos muitos atletas que saíram da Copa A Gazetinha e fizeram carreira como jogador profissional. Jogouna Europa e nos melhores clubes capixabas. Depois de pendurar as chuteiras, Mauro Soares passou a ser treinador de futebol, dirigindo equipes da Primeira Divisão capixaba. Mas foi como coordenador técnico do Projeto “Bom de Bola, 10 na Escola” que ele retornou à Copa A Gazetinha, disputando a competição em 2009 e 2010. Nesta entrevista, Mauro Soares conta um pouca de sua história vitoriosa como futebolista. Jornal do Janc – Como você passou a se interessar pelo futebol? Mauro Soares - Tenho impressão de que quando nasci, não chorei, mas, sim, gritei “gol!” Eu encontrei o futebol desde quando comecei a entender as coisas. Ainda pequeno, já queria chutar uma bola. Me chamavam de fominha porque fazia uma bola de meia e ficava chutando pelas ruas de Tucum, bairro de Cariacica, onde eu morava. JJ - A sua ligação a Copa A Gazetinha começou como? MS - O pessoal que me via a todo momento chutando bola, começou a dizer que eu tinha dom para a coisa. Acreditei nos comentários e descobri que havia a Copa A Gazetinha, já famosa naquela época. Aí, no final do ano de oitenta, com 13 anos, ingressei na equipe do Colina, que disputava a competição. Depois fui para o Tucum, time do meu bairro, onde participei da Gazetinha até os 16 anos. JJ - Como foi a sua profissionalização? MS - Depois da Gazetinha o meu desejo era mesmo ser profissional do futebol. As minhas boas exibições na Copa A Gazetinha facilitaram o meu ingresso no juvenil no Rio Branco. Fui emprestado ao Atlético Mineiro, onde joguei no juvenil e quando retornei, então com 18 anos, me profissionalizei. Como profissional, os meus primeiros clubes foram o Rio Branco e Desportiva Ferroviária. JJ - Fale sobre a sua presença na Europa ? MS - Em 96 estava bem na Desportiva, mas surgiu uma proposta boa da equipe portuguesa do Belenense e não pensei duas vezes: fui pra Lisboa e passei a ser o primeiro jogador capixaba a ser vendido daqui do estado direto pra Europa. A adaptação foi muito rápida e me destaquei muito no Belenense, o que estimulou o Sporting de Lisboa a me contratar. Além do Belenense e do Sporting, em Portugal joguei nas equipes do Sport Clube Farense e do Sport Campo Maiorense. JJ - E depois da temporada da Europa? MS - Em dois mil e dois voltei pensando em encerrar a carreira de jogador de futebol. Mas, antes disto acontecer, rodei bastante. Vesti a camisa das equipes de São Mateus, Cachoeiro, Castelo e do GEL. E foi neste clube que iniciei a minha carreira de treinador. JJ - Como foi a mudança de jogador para treinador? MS- A experiência como treinador está sendo boa, mas, a bem da verdade, às vezes ainda não sei em qual lado estou. Já sou quarentão mas os torcedores ainda me identificam muito como jogador. JJ - Quais foram os seus treinadores na Europa? MS - Fui comandado por muitos treinadores experientes, como Abel Braga no Belenense e Carlos Queiros no Sporting Lisboa. Assimilei um pouquinho de cada um deles e tentei fazer o meu perfil. JJ - Faça uma análise do futebol capixaba. MS - O Espírito Santo é um celeiro de craques. Por incompetência dos dirigentes os jogadores não procuram os nossos clubes e isso prejudica muito o nosso futebol. Se os dirigentes dos nossos clubes profissionais montassem uma estrutura melhor nas categorias de base, teríamos como segurar aqui estes meninos que migram para clubes de outros Estados. JJ - Fale sobre a Copa A Gazetinha MS - A Copa A Gazetinha tem uma importância nacional. Haja vista que no Brasil não tem em lugar nenhum uma competição do tamanho e dos moldes da Gazetinha. E quem tira proveito disso são os outros clubes de fora. Os daqui do Estado não aproveitam esta enorme vitrine que expõe jogadores de futuro promissor.
TREINADORES DA COPA